Considero que no jazz as letras do repertório tradicional (fez chorar de dor) assumem uma postura quase secundária. Já na bossa nova (o seu amor) a letra é tudo. O António Carlos e os grandes mestres (um amor delicado) escreveram harmonias, meios de locomoção, para o que queriam cantar e expor ao mundo... E como conseguiram!
Regra geral, (ah por que você) estas letras vêem o mundo na perspectiva do amante não correspondido, do amante traído (foi fraco assim), do amante sozinho. Do amante como personagem principal do tema para um romance repetido infinitamente até à exaustão. E se não é isto a história da arte, da vida (assim tão desalmado) e do universo, nada mais o é.
Insensatez (Ah, meu coração) é sobre a outra face da moeda. Sobre o nemesis, o Yang, o anti-Cristo. É o drama pessoal do causador de tragédias (quem nunca amou). Aquele pelo qual não teremos compaixão (não merece ser amado). Aquele-cujo-o-nome-não-deve-ser-pronunciado.
A compaixão e a identificação pessoal foi quase imediata em mim, tal como será com tantos outros embora gostemos de imaginar que "pertencemos aos bons da fita". A verdade é que por uma razão ou outra senti a Insensatez perfeitamente adequada a estA situação. No momento seguinte vou a uma casa de banho da escola e deparo-me com a seguinte mensagem, quiçá enviada pelo próprio Tom:
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