terça-feira, 27 de setembro de 2011

Noite Primeira

Olho a escuridão abissal que esbarra num branco que me rodeia e que vislumbro três metros à minha frente. Pequenos quadrados formam-se numa zona muito pouco centrada do quadro. Tomam a forma de janelas. O meu olhar é desviado para uma ligeira fonte de luz ou um reflexo, impossivel distinguir. Quando olho já lá não estava. Pequenos arco-iris de cromatismo reduzido e muito esbatido formam uma construção muito simétrica a fazer lembrar aquela ilusão de óptica das serpentes (ver em baixo). Seguidamente uma onda de negro arrasta-os para a escuridão como se lá nunca tivessem estado. Não sinto a falta deles.
Uma onda de ligeiros reflexos surge à direita como se alguém tivesse atirado uma pedra de luz ao oceano de escuro ao meu lado.
De repente forma-se uma estrada num angulo estranho e meio desequilibrado. As bermas desta estrada piscam alternadamente em duas cores desinteressantes branco e preto (escrevo-o muito baixinho com medo de as ofender, uma pessoa não se quer dar mal com duas cores como branco e preto). Sinto que a estrada terá um significado muito próprio neste momento da minha vida. Mas ainda assim um mar de hipóteses e de significados tornam a situação demasiado ambigua para eu perder tempo a pensar nela.
Olho e não olho para o relógio que deixou de fazer barulhos irritantes há 10 anos atrás quando comprei um novo. Tudo muda, tudo passa, como o costume manda dizer. Só as insónias nos acompanharão e terão aquela precisão temporal exacta, certeira, quase prevísivel. Uma identidade. Como que a lembrar-nos de que seremos sempre a mesma pessoa, não importa o quanto tudo mude ou tudo passe à nossa volta.

Vai ser mais uma longa noite.

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