Uma onda de ligeiros reflexos surge à direita como se alguém tivesse atirado uma pedra de luz ao oceano de escuro ao meu lado.
De repente forma-se uma estrada num angulo estranho e meio desequilibrado. As bermas desta estrada piscam alternadamente em duas cores desinteressantes branco e preto (escrevo-o muito baixinho com medo de as ofender, uma pessoa não se quer dar mal com duas cores como branco e preto). Sinto que a estrada terá um significado muito próprio neste momento da minha vida. Mas ainda assim um mar de hipóteses e de significados tornam a situação demasiado ambigua para eu perder tempo a pensar nela.
Olho e não olho para o relógio que deixou de fazer barulhos irritantes há 10 anos atrás quando comprei um novo. Tudo muda, tudo passa, como o costume manda dizer. Só as insónias nos acompanharão e terão aquela precisão temporal exacta, certeira, quase prevísivel. Uma identidade. Como que a lembrar-nos de que seremos sempre a mesma pessoa, não importa o quanto tudo mude ou tudo passe à nossa volta.
Vai ser mais uma longa noite.
Sem comentários:
Enviar um comentário