sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Canção para o Tejo

Se eu fosse mais que ninguém e o Tejo corresse na minha mão
Breve, sereno e calmo na idade da razão
Se ele me deixar nele correr, ver o ninguém que eu sou desaparecer.
Nas águas turvas, onde busco o amanhecer

E eu nunca te ouvi, e eu nunca te senti
Descontente, maldizente, num queixume, num ciúme
Numa promessa por cumprir, num alguém por descobrir,
No olhar de tanta gente, que te atravessa indiferente

Pela manhã eu te invejo



Se eu te falhar por alguém, e esse alguém nem sequer me merecer
Traz-me do fundo, nunca é tarde pra me arrepender
Sonhar o mundo num rio, e ser herói na proa de um navio
Nas águas turvas, no silêncio onde me refugio.

E em 55 quando a terra deu um grito
Descontente, maldizente, num rodopio , num repente
Numa onda que caiu, numa cidade que ruiu
No olhar de tanta gente, que te olhava indiferente
E que nunca te ouviu, e que nunca te sentiu,
Tão ausente, tão descrente
Como coisa que estará sempre
É então que às vezes desperto, pela madrugada reflecte
O vazio de toda a gente que o atravessa indiferente

Pela manhã eu te invejo,
À noite junto ao Tejo

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