domingo, 23 de outubro de 2011

D'a Morte I

Diariamente ao adormecer, relembro a inevitabilidade d'A Morte. Sinto os tremores, as tonturas, as palpitações e os sopros dignos de quem está a ser fulminado pelas imperfeições da máquina corpo humano. Sinto-os diariamente mas com muito mais intensidade à noite. Na cama, no silêncio de um batimento cardiaco que parece que falhou. Falhou? No repentino apercebimento de que há zonas do meu corpo a palpitar, a latejar. Em certas dores no peito (todas do lado esquerdo. Porquê todas do lado esquerdo? É óbvio que o meu coração não está a falhar. Porque serão todas as dores no peito do lado esquerdo?). Tudo isto se traduz em horas às voltas, dir-se-ia quase como se de panados no lençol se tratasse.

E ainda assim, posso jurar a pés juntos que no momento em que Ela chegar não estarei de todo à sua espera.

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