Quando mudamos de trabalho, mudamos de trabalho, de patrão, de colegas, de salário, de destino rodoviário matinal/pós laboral.
Quando mudamos de casa mudamos de rua ou de avenida, de vizinhos, talvez de mobília.
Quando mudamos de parceiro, mudamos de rotina, mudamos de "amigos", mudamos de paradigma existêncial.
Quando mudamos de amigos (note-se ausência de aspas) mudamos de universo. Parece-me portanto pouco provável existir alguém que o tenha feito. Ainda assim é importante mencionar.
Quando mudamos de cidade, digo mudar para bem longe de tudo o que existia, tudo muda!
Indo novamente ao encontro da condição humana, o que é uma homem para além do conjunto de coisas que o rodeia, a sua rotina, o seu trabalho, todas as coisas que ele adquiriu ao longo da vida, coisas que lhe pertencem, que o ligam ao mundo. Não querendo descurar obviamente toda a parte pessoal, valores, príncipios, moralidade ou conhecimento adquirido ao longo da vida, mas é a acção que estes elementos têem no mundo que o rodeia que acaba por definir o que é um homem.
Um homem é justamente resultado da evolução do meio que o rodeia em contacto com a evolução de todas as suas características interiores.
Isto implica, na eventualidade de uma mudança extrema num destes dois planos, a destruição da existência do homem tal como ele era auto e hetero reconhecido até esse momento. Pois se de um momento para o outro tudo o que existia desapareceu ele perde metade da essência que o definia.
É uma mudança tamanha que, apesar de tudo o que ele era interior e exteriormente se manter, ele tende a crer que tal já não acontece. A sua forma de se relacionar com as pessoas que vai encontrando é duvidável, por ausência do termo de comparação que tinha com as pessoas com que se costumava dar diariamente. O seu modo de falar torna-se diferente, a sua forma de pensar enche-se de dúvidas, a sua própria silhueta ao espelho parece alterar-se pela falta da forma de olhar característica das pessoas com que se dava. Caminha por ruas novas diariamente e não sente que lhe pertencem pois a outras pessoas pertencerão, pessoas que não as abandonaram.
Este homem, ultimamente, resignar-se-á a uma forma de construção e elevação interior, pois ele sabe que esse foi o aspecto que lhe sobrou. Por vezes pode contribuir para um fechamento e em última análise demência. Por vezes transformar-se-á simplesmente em mudança, pois a mudança é inevitável.
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